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sábado, 13 de outubro de 2012

Documentário: Domínio público

Esse documentário começou a ser filmado há um ano atrás, de forma independente, com pouquíssimo recurso conseguido através da produção de um evento cultural. A equipe abriu mão de seus salários e os equipamentos foram cedidos gratuitamente. Percorremos as comunidades do Vidigal, Vila Autódromo, Providência, toda a Zona Portuária do Rio de Janeiro e o Maracanã, obtendo diversas imagens, entrevistando muitos moradores, participando de reuniões, debates e conflitos. Além disso, entrevistamos o professor Carlos Vainer do IPPUR/UFRJ, pesquisador sobre megaeventos, o Deputado Estadual Marcelo Freixo e o Deputado Federal Romário. Para entrevistar esse último, tivemos que nos deslocar de carro até Brasília, aproveitando a ocasião para fazer algumas imagens da cidade e das obras do estádio Mané Garrincha. Nesse período, investigamos para onde estão indo todos os bilhões investidos no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, visando a Copa do Mundo e as Olímpiadas. Está muito claro para nós, que grande parte desse dinheiro sairá dos cofres públicos e servirá para enriquecer um grupo muito restrito de empreiteiros, políticos, bancos e empresários envolvidos com esses megaeventos. O legado que vai ser deixado para a população é muito pequeno. E o pior de tudo: várias comunidades estão sendo removidas, ilegalmente, das áreas de forte interesse imobiliário para periferias distantes, sem nenhuma infraestrutura e dominadas por milícias fortemente armadas e extremamente violentas.

by Paêbirú Realizações

 

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domingo, 23 de setembro de 2012

A Venezuela que não conhecemos

Não quero fazer aqui uma apologia ao Chavismo, mas o certo é que devemos ter muito cuidado com as informações que recebemos da imprensa sobre a Venezuela de Hugo Chávez.
As organizações Globo têm um histórico de ataques a governos latinos de esquerda. Tenho certeza que alguns temas como a liberdade de expressão realmente sejam um problema em lugares como Cuba e no próprio país que resgatou o Bolivarismo. No entanto, o erro começa quando fazemos a nossa análise de um todo através do conhecimento de apenas uma parte da história. Imagina julgar um livro ou um filme exatamente por aquela parte mais chata da obra, ou pelo melhor capítulo/cena.
Hoje o jornal O Globo separou uma página inteira atacando Chávez por usar grande parte do lucro da PDVSA (petrolífera estatal) em programas sociais e alguns acordos internacionais que diminuiriam a capacidade comercial da empresa pública. Um entrevistado (Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura) chegou a afirmar que "geralmente governantes de países com recursos tão poderoso tratam o dinheiro vindo dele como ganho em cassino, que veio fácil". De fato, Adriano acerta em apenas uma coisa na comparação: a Venezuela tem "sorte"! O tal "cassino" é a maior reserva de petróleo conhecida em todo o mundo (296,5 bilhões de barris) e a quinta maior produtora do "ouro negro" (1,6 milhão/dia). 
No entanto, para minha surpresa, nesta mesma página o jornal apresenta (bem rápido, apenas para o leitor mais atento) o lado B desta história: "O chavismo reduziu a pobreza em 50%. Em 1999, 29% dos venezuelanos viviam na pobreza extrema. Hoje são 7%. [no Brasil o índice é de 8,5%] A Unesco declarou a Venezuela país livre do analfabetismo. [no Brasil é de 9,6%] O salário mínimo é o maior da região: US$ 414. [no Brasil é aproximadamente US$ 311] O desemprego é de 7,9%. [Enfim o Brasil ganha uma - 5,3%, mas nos EUA é de 8,1%] Segundo a ONU, a Venezuela é o país menos desigual da América Latina." [o Brasil é o quarto país mais desigual]
Surpreso? Agora imagina quantas outras Venezuelas nós não conhecemos...

PS: Acho que vai ter editor de jornal sendo demitido por deixar passar esses dados.

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Comemorar Muammar Kadafi morto!

Alguns meses depois de iniciado os conflitos na Líbia finalmente aconteceu o que muitos previam - morreu o ditador Muammar Kadafi. Fico de boca aberta ao ver as comemorações ao redor do mundo, assim como na morte de Osama Bin Laden, como se a democracia ganhasse com os assassinatos destes "ícones do mal". Em primeiro lugar, o mundo é muito mais complexo do que os maquineístas imaginam. Não existem mocinhos e bandidos no jogo político mundial. Muitos dos que posam de heróis são os vilões para os milhares de iraquianos e afegãos mortos "em nome da democracia". Além disso, que mensagem estes países querem passar para o mundo ao concordarem com execuções sumárias, sem que o princípio básico de ampla defesa diante de um tribunal qualificado (afinal de contas, não é por isso que a justiça é uma das prerrogativas de uma democracia?) tenha sido adotado? Ao que me parece, vale a máxima de pensar que somente os outros são os "bárbaros". Não se justifica um erro para vingar um outro erro. Lamentável!
Nem de longe quero aqui defender a figura do ditador líbio ou do terrorista da Al-Qaeda, apenas defendo que eles recebam o tratamento como qualquer criminoso receberia. Aplaudir e repetir gestos que outrora eles faziam com seus inimigos é equiparar-se a eles. Simples assim.
Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: O que os "guardiões da democracia" tem a falar sobre o massacre étnico em Ruanda (que matou cerca de 800 mil tutsis, etnia rival dos hutus, e indiretamente foi financiado com o dinheiro do Banco Mundial e do FMI), quando o presidente Bill Clinton teve a chance de intervir e preferiu declarar que aquilo era um assunto interno ruandês? Por que não invadiram o Sudão enquanto 400 mil pessoas (sem contar os 2 milhões de refugiados) eram assassinadas pela milícia janjawid em Darfur, mesmo tendo provas do envolvimento do governo de Omar al-Bashir (ditador, desde 1989, que financiava as milícias árabe-muçulmanas)? E o que dizer da Síria atual onde o governo de Bashar al-Assad manda atirar na multidão de opositores do seu regime. Se há um interesse verdadeiramente humanitário nas iniciativas da ONU, por que não aumentar os esforços para diminuir os números da fome na África, que promete ceifar a vida de 13 milhóes de pessoas (750 mil pessoas, somente na Somália, até o fim deste ano).
Tudo isso só me dá a certeza de que todos nós estamos sendo enganados, pois querem nos impor o que é justo, o que é prioridade e com o que devemos nos preocupar. Vamos acordar, gente! Não sejamos fantoches nas mãos da imprensa comprada pelos interesses das potências internacionais. Não há nada para comemorar na Líbia. a democracia está tão longe dos líbios como nós estamos de receber uma resposta convincente para as perguntas acima.

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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A Líbia, de novo...

Só um comentário rápido...
Não é de hoje que venho falando para que as pessoas fiquem com um pé atrás com o que anda acontecendo na Líbia. Fora todos os interesses inegáveis das nações mais ricas, fato é que ninguém sabe o que vem depois da queda de Khadafi. Entre os rebeldes estão membros da Al-Qaeda, jihadistas convíctos e grupos pró-ocidente. Resumindo, não haverá qualquer uniformidade em um possível novo governo.
Sinto cheiro de conflito por mais algum tempo (bota tempo nisso!).

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Conflitos no Egito, Kadafi e Nelson Rubens: será possível?

Já não é de hoje que chamei a atenção para o fato de que o Egito passou longe de uma revolução. Protestos voltam a acontecer no país mesmo após a queda de Hosni Mubarak, uma vez que o poder continuou com os militares (o líder da junta militar que governa o país “temporariamente”, Mohamed Hussein Tantawi, era da cúpula de Mubarak). Isso apenas corrobora para a ideia de que nada mudou na terra dos faraós. E mais, o destino é incerto. O cenário na vizinha Líbia, apesar de conter uma história completamente distinta, ameaça seguir o mesmo roteiro. O que vem depois de Kadafi? (se é que ele sairá do poder). Não é preciso recuar muito no tempo e veremos como os interesses norte-americanos (em nome da chamadas potências ocidentais) acabaram por implementar políticas que “saíram pela culatra”. Seja com o Talibã ou com Saddam Hussein, fato comprovado é que ambos receberam farto material bélico e ajuda financeira para bancar a influência dos EUA no Oriente Médio. Os alvos foram, respectivamente, o já fragilizado regime soviético e a nascente República Islâmica do Irã. Nos dois casos, o feitiço virou contra o feiticeiro. Hoje vemos que a intervenção na Líbia tem muito mais do que a farsa da “garantia de segurança dos civis líbios” (quantos civis não já morreram nos bombardeios da OTAN?). Não existe interpretação destes acontecimentos sem que tenhamos em mente uma palavra: petróleo. Os economistas divergem sobre o tema, mas há quem defenda que o PIB mundial diminui cerca de 0,25% para cada 10 dólares de aumento no preço do barril de petróleo. A Líbia responde por cerca de 2% da produção mundial, mas é uma das principais fornecedoras da Europa. O raciocínio é lógico: menos petróleo em circulação (hoje a produção já caiu 4 vezes) + especulação e receio do futuro = alta dos preços do petróleo. Problemão! Independente de quem ganhe este conflito, uma coisa é certa: o povo líbio vai perder. De uma lado, potências econômicas querendo um governo estável, independente de quem seja; do outro lado, um ditador que já perdeu a noção da realidade e poderia imitar Luis XIV falando “o Estado sou eu”. E pior, no meio desta fumaça estão pessoas que estão sendo chamados pela imprensa por “rebeldes”, mas que longe de ser a solução para os problemas da Líbia, podem muito bem repetir as histórias ocorridas no Afeganistão e no Iraque. A Líbia é um Estado forjado (tudo bem, qual não é?), sendo composto por cerca de 140 tribos. Kadafi sempre representou algumas delas e obteve a antipatia de outras. O problema neste país passa antes por esta questão do que uma suposta (que papo furado) “luta pela democracia”. Nunca houve coesão nacional na Líbia e estamos longe de encontrá-la. Entre os “rebeldes”, existem ao menos dois grupos distintos e dominantes. Um deles é composto pelos partidários da dinastia Senussi, família real retirada do poder pelo golpe militar que colocou Kadafi ao poder. O sonho das potências aliadas é que o poder caia nas mãos deste grupo, já que possuem uma visão bem aberta aos interesses ocidentais. Porém, para este filme ganhar contornos de suspense, o outro grupo dominante é composto por antigos guerrilheiros islâmicos que lutaram no Iraque e no Afeganistão. Aliás, o governo americano já havia admitido, em 2007, que 20% dos combatentes anti-americanos na guerra do Iraque eram do leste da Líbia (região agora tomada pelos rebeldes). Já existem relatos que membros da Al Qaeda foram recrutados pelos rebeldes líbios. Parecia brincadeira, mas a frase de Kadafi, de que ele era alvo do imperialismo norte americano e de conspirações de Osama Bin Laden, que soou ridícula há alguns dias parece que começa a fazer algum sentido. Se Kadafi ouvisse Nelson Rubens certamente tomaria pra si seu famoso bordão: “Eu aumento, mas não invento!”

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quinta-feira, 31 de março de 2011

Invasão na Líbia

Aconteceu o óbvio! A ONU (Leia-se “Os Estados Unidos”) decidiu invadir a Líbia para garantir a Zona de Exclusão Aérea, ou seja, evitar que o governo de Muamar Kadafi utilize bombardeios aéreos contra os rebeldes.
Ganha uma bala Juquinha quem desconfiar que a verdadeira intenção dos invasores não é defender o povo líbio, muito menos encaminhar o país no rumo da democracia.
O patrimônio da família Kadafi é maior do que a fortuna do dono da Microsoft, Bill Gates. O seu fundo de investimentos possuí dinheiro espalhado em todos os cantos do mundo, inclusive no Brasil e no time italiano Juventus. A Líbia é a oitava maior produtora de petróleo do mundo (A produção de petróleo caiu quatro vezes desde o início dos conflitos. Esse e outros fatores fizeram o preço do óleo disparar).
Dito isto, meus amigos, não tenho dúvidas de que a preocupação da ONU é com as consequências de uma guerra civil que ameaça se alongar. Pouco importa para as potências ocidentais se quem governa os países árabes são democratas ou ditadores. Isso é falácia para vender jornal. O fundamental é que estes países tenham governos estáveis. Só isso!
A ONU já nasceu deformada e continua até hoje. O que justifica ela não ter “garantido os direitos civis” em Ruanda e na Bósnia, num passado recente? Como não intervir nas diversas situações em que israelenses e palestinos se matavam no Oriente Médio? (aliás, devo assumir que a ONU “determinou” que Israel devolvesse territórios conquistados na Guerra do Seis Dias... só que Israel “não quis”) O que dizer de alguns países africanos que notadamente são ditatoriais e descumprem direitos humanos, como costa do Marfim e Sudão?
A resposta para todas estas perguntas é muito simples: tudo depende dos interesses econômicos ou políticos das chamadas “potências ocidentais”.
Por fim, qualquer quadro possível na Líbia. Caso os conflitos cessem, é bem provável, assim como no Iraque da época do Golfo, que o ditador continue no poder, desde que o petróleo esteja prontinho pra ser vendido para o mundo.

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Egito: entre a realidade e o que a imprensa divulga

Existem coisas que ainda não digeri sobre os acontecimentos no Egito. Posso estar profundamente enganado, mas penso bem diferente do que a maioria dos meios de comunicação tanto propaga sobre o assunto.
Primeiramente, desde o início os manifestantes, segundo os jornais, estão nas ruas “em defesa de uma democracia”. Você se lembra de algum governo que foi derrubado apenas com este discurso? Bom, eu não! A questão do modelo político de uma sociedade é tão teórico que o povo, na prática, não vê sentido. Jamais ouvi dizer sobre qualquer revolta de caráter nacional que não tivesse mergulhada em problemas sócio-econômicos.
A renda média mensal do trabalhador no Egito é equivalente a R$ 86. Quase metade dos egípcios sobrevive com até US$ 2 por dia. A taxa de desemprego é de cerca de 10% (quase o dobro da brasileira). Este quadro não é novo e o país vive um histórico recente de protestos e greves. De 2004 a 2008, foram mais de 1.900.
É natural que os egípcios começassem a pensar em mudanças. Assim como no futebol, na política “time que ganha não se mexe” e “time que perde tem que mudar”. Sim, é bem simplista mesmo! Para vencer as dificuldades sócio-econômicas, o Egito exigiu novos ares na política.
O ex-líder Hosni Mubarak não caiu porque era um ditador, e sim porque falhou na tarefa estatal de proporcionar o básico para a sua população. Não obstante, a versão dos jornalistas certamente “vende” uma história bem mais confortante.
Outra coisa que me causa bastante incômodo é a referência aos acontecimentos no Egito como uma “revolução”. Quem o diz desconhece a situação no país ou o conceito. Como ensina o professor do Departamento de Oriente Médio da Universidade de Haifa, Israel – Uri Kupferschmidt -, só há revolução quando há substituição de uma filosofia social-econômica (acrescento, política) por outra. E no Egito, não há ninguém sugerindo um novo caminho, algo que substitua o status quo atual.
Depois da queda da monarquia, em 1952, três militares governaram o Egito, incluindo Mubarak. Hoje, pode-se dizer que o Egito é um país altamente militarizado, o maior dos árabes e um dos maiores do mundo. A ausência de lideranças civis e a simbiose Exército-Estado dão poucas esperanças de que os militares sairão de cena. Hoje (13/02) já chega a notícia de que eles fecharam o parlamento. A ajuda norte-americana, que gira entre 2 a 3 bilhões de dólares anuais, deixa poucas dúvidas que possa surgir um governo anti-americano (e este não era o discurso popular). Com as particularidades dos muçulmanos egípcios (só como exemplos: são sunitas e não têm um “Khomeini” aguardando a entrada triunfal no país, etc), diria que a possibilidade de uma revolução islâmica, nos moldes da iraniana em 1979, é praticamente nula. Isto não passa de um discurso ocidental para o apoio de um “mal menor”. A Irmandade muçulmana poderá ter voz num novo regime, mas jamais terá a primazia.
A verdade é que Mubarak se foi, mas o regime ainda é o mesmo.

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Você já entendeu o que anda acontecendo no mundo árabe?

Você já entendeu o que anda acontecendo no mundo árabe? Tem ideia por que tanta gente está protestando nas ruas do Egito, por exemplo?
Vou simplificar a história pra vocês: problemas econômicos e sociais desencadearam uma onda de protestos na Tunísia e provocaram a fuga do presidente, Zine El Abidine Bem Ali, para a Arábia Saudita, após 23 anos no cargo, no que está sendo chamado de Revolução de Jasmin (flor típica do país). Com um cenário semelhante, os egípcios se espelharam no exemplo dos tunisianos e foram às ruas para protestar contra o regime do governo Hosni Mubarak, que já atingiu a marca de três décadas no poder.
Para quem não sabe, o Egito é o principal aliado dos Estados Unidos no mundo árabe e, por isso, o que mais recebe dinheiro dos ianques. É exatamente aí que mora a contradição que já faz parte da folclórica história das relações internacionais dos norte-americanos. Os EUA se autodeclaram os grandes guardiões da democracia no mundo. Não poupam esforços para demonizar países considerados ditatoriais e em alguns momentos inclusive utiliza seu gigantesco poderio bélico para “implantar a democracia” nestes locais.
Não obstante, fecha os olhos para as inúmeras ditaduras africanas, uma vez que para a diplomacia norte americana trata-se de países em que não existem interesses estratégicos (leia-se: “lá não tem grana!”). Mais ainda, ignoram o fato de que muito deste homens “do mal” já foram um dia amiguinhos. Saddam Hussein e Osama Bin Laden, sem contar ditadores latino-americanos nas décadas de 1960 e 1970 (inclusive os torturadores brasileiros), receberam todo o apoio dos ianques quando lhes convinham. O mesmo ocorre agora no Egito, quando foi preciso 30 anos e um país em pé de guerra para os Estados Unidos se pronunciarem a favor de uma democratização. Faça-me o favor! É muita hipocrisia para um país só!
Pode parecer que sou um daqueles comunistas desiludidos a quem só restou o discurso antiimperialista e contrário a tudo que vem dos EUA. Iria mudar de opinião ao descobrir que só uso calça jeans e t-shirt, adoro os combos do McDonald’s, perco horas assistindo os filmes e séries enlatadas (desculpa Renato Russo!) e penso seriamente em aprender a falar inglês até os 30 anos.
Não sei se te ajudei a entender o que está acontecendo no mundo árabe (na verdade foi só um gancho que utilizei... desculpa, vai!), pois ainda teria que fazer uma alusão aos indícios de que outros países como Mauritânia, Argélia, Sudão, Iêmen, Omã e Jordânia possam seguir o mesmo caminho da Tunísia. Além disso, teria que analisar como isso tudo mudaria drasticamente o paradigma político dos países de maioria muçulmana. Isso dá tranquilamente uma tese de doutorado, mesmo que todas as mudanças parem por aqui (o que particularmente não acredito que ocorra). Entretanto, meu objetivo mesmo era evidenciar a incoerente política norte americana nestes acontecimentos, coisa pouco falada no noticiário e que merece maior discussão.

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