sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A MEGERA DOMADA

Adaptação feita por Luiz Eduardo Farias, para o grupo de teatro amador Caretas, do Colégio Municipal Professora Delce Horta Delgado (Fevre)

 
 
PRIMEIRO ATO

CENA I

[Pádua. Uma praça pública. Entram Lucêncio e Trânio]
LUCÊNCIO: Trânio, meu amigo fiel, chego cheio de esperança! Graças a Deus tenho a sua companhia. Mas confesso que estou me sentindo um peixe fora d'água, aqui em Pádua. Acabo de chegar de Pisa, minha terra natal, a fim de estudar, e preciso do seu conselho!
TRÂNIO: Ora meu senhor, busque muito, muito mais! Aproveite o prazer da vida! Estude apenas o que lhe agradar.
LUCÊNCIO: Ótimo conselho! Obrigado! Ainda temos que esperar Biondella, que nos oferecerá hospedagem aqui em Pádua. Mas, espera um pouco; quem será essa gente?
[Entra Batista com as duas filhas, Catarina e Bianca; Grêmio e Hortênsio. Lucêncio e Trânio põem-se de lado]
BATISTA: Senhores, não me aborreçam mais! Já disse que Catarina terá que se casar antes da jovem Bianca! Se um dos dois gostar de Cata­rina, podem cortejá-la.
GRÊMIO: Ou esquartejá-la? Amarrá-la?
CATARINA: (a Batista) Eu pergunto, senhora, devo ser brinquedo desses dois palhaços!
HORTÊNSIO: Pretendentes, mocinha! Se continuar assim nunca terá um!
CATARINA: O senhor está mais para um bobo de circo.
HORTÊNSIO: Deus me livre!
GRÊMIO: E a mim também, meu Deus.
TRÂNIO: (À parte, para Lucêncio) Essa aí é uma doida.
LUCÊNCIO: (À parte, para Trânio) Mas a outra irmã é uma beleza!
TRÂNIO: (À parte, para Lucêncio) É... Dá pro gasto...
BIANCA: Não entendo essa minha irmã. O casamento é algo sagrado. Ela deveria fazer de tudo para ter um monte de pretendentes. Mas olha o que ela faz – espanta todos eles!
BATISTA: Bianca, para dentro. E não fique aborrecida, continuo a te amar mais do que nunca, minha filha.
CATARINA: É tão mimada! É só enfiar-lhe um dedo no olho e deixará de ser tão delicadinha.
BIANCA: Que horror, Catarina, como pode ficar feliz com minha tristeza? Mas, como filha obediente, respeito a sua ordem, minha mãe.
GRÊMIO: Não precisa punir Bianca! Castigue essa bruxa da Catarina!
BATISTA: Aceitem, senhores! Entra, Bianca! (Sai Bianca) Contratarei professoras para distrai-la. Adeus. (Catarina sai junto com a irmã) Você pode ficar, Catarina.
CATARINA: Ué, e por que não vou embora também? Como se alguém pudesse me dizer o que fazer! (Sai)
BATISTA: Catarinaaaaa! (a mãe vai atrás)
HORTÊNSIO: Tive uma grande ideia!
GRÊMIO: Que ideia?
HORTÊNSIO: Arranjar um marido para a irmã mais velha.
GRÊMIO: E existe alguém tão louco para casar com aquele dragão cuspidor de fogo? Eu prefiro ser chicoteado!
HORTÊNSIO: Vamos pensar positivo! E então, aceita?
GRÊMIO: Aceito! (saem)
TRÂNIO: Mas que dois malucos! Nunca que vão achar alguém para aquele demônio!
LUCÊNCIO: Nada mais me interessa! Bela Bianca! Acho que fui fisgado.
TRÂNIO: Senhor! Se a ama, devemos traçar um bom plano!
LUCÊNCIO: Conte-me então!
TRÂNIO: Será a professora e cuidará da educação da jovem.
LUCÊNCIO: E como eu faria isso?
TRÂNIO: Tenho uma amiga costureira; outra, cabelereira... damos um jeito.
LUCÊNCIO: Mas quem faria o meu papel aqui em Pádua, como estudante?
TRÂNIO: Eu mesmo! Somos parecidos mesmo. Enquanto fico aqui fingindo ser Lucêncio, você se disfarçará de professora, assim estará mais perto de Bianca.
LUCÊNCIO: Aí vem ela... (Entra Biondella) Por que demorou tanto?
BIONDELLA: Estive... Ocupada... Senhor... (voz de bêbada)
LUCÊNCIO: Deus me dê paciência! Escute bem, Trânio fingirá ser eu, enquanto eu fingirei ser outra pessoa. Você irá servir Trânio, como servisse a mim, entendeu?
BIONDELLA: Eu, senhor? Nem uma palavra.
LUCÊNCIO: Vamos tentar de novo! Trânio transformou-se em Lucêncio.
BIONDELLA: Melhor para ele. Quem dera fosse eu...
LUCÊNCIO: Agora vamos. Trânio, só falta ainda uma coisa a ser feita, você deve se apresentar também como um dos pretendentes. Logo te explicarei o motivo! (Saem)

CENA II

[Diante da casa de Hortênsio. Entram Petrucchio e Grúmia]
PETRUCCHIO: Finalmente! Cheguei à casa de Hortêncio! Grúmia, bate! Estou mandando.
GRÚMIA: Bater, senhor? Bater em quem? Alguém ofendeu Vossa Senhoria?
PETRUCCHIO: Bata logo!
GRÚMIA: Bater em vós, senhor? Oh, senhor! Quem sou eu para bater em vós?
PETRUCCHIO: Na porta, idiota! Ou eu mesmo baterei na sua cabeça e nesse caso bato eu sem dó, para ouvir-te cantar sol, mi, lá, dó. (Puxa as orelhas de Grúmio)
GRÚMIA - Socorro, gente! (corre em círculos, Petrucchio atrás)
[Entra Hortênsio]
HORTÊNSIO: Que é isso? Ah! Petrucchio!
PETRUCCHIO: Um momento, Hortêncio! Deixa eu acertar essa infeliz primeiro!
GRÚMIA: Ora bolas! Ele mandou que eu batesse nele, que o surrasse com força.
HORTÊNSIO: Calma, Petrucchio, Vamos entrar! Enquanto isso, me conta o que te trouxe aqui em Pádua.
PETRUCCHIO: Meu pai morreu, e agora eu viajo pelo mundo, esperando encontrar sorte melhor no casamento.
HORTÊNSIO: Mas que beleza! Petrucchio, devo te apresentar uma mulher, que mais parece uma fera. Mas posso garantir que é rica; sim, muito rica. Mas entenderei se não tiver coragem...
PETRUCCHIO: Ora essa! Vim para casar-me, para uma noiva rica achar em Pádua; sendo rica, feliz serei.
GRÚMIA: Esse aí aceita até uma égua por esposa, desde que tenha dinheiro na bolsa.
HORTÊNSIO: Bom, Petrucchio, o único defeito desta mulher é ser brava, teimosa e cabeçuda!
PETRUCCHIO: Basta me dizer o nome da mãe dela, e pronto.
HORTÊNSIO: A mãe é a dona Batista, e o nome dela é Catarina.
PETRUCCHIO: Conheço a mãe, foi muito amiga do meu velho.
GRÚMIA: Seu velho? Hummmm, não sabia que o senhor tinha essas tendências. (corre em círculos, Petrucchio atrás)
PETRUCCHIO: Hortênsio, não durmo sem a ver primeiro e você irá comigo.
HORTÊNSIO: Mas antes precisa me fazer um favor. Irá me apresentar como um pretendente da bela Bianca, irmã de Catarina!
GRÚMIA: Patrão, patrão, olha! Vem alguém chegando?
[Grêmio chega]
HORTÊNSIO: Grêmio, salve!
GRÚMIA: Flamengo, salve! (grita)
HORTÊNSIO: O que é isso agora, sua anta?
GRÚMIA: Você gritou seu time e eu falei o meu.
HORTÊNSIO: Que time, idiota? Grêmio é o nome dele, meu amigo. (Grúmia faz cara de quem continua confusa)
GRÊMIO: Que bom te ver, meu amigo.
HORTÊNSIO: Sobre o nosso pequeno plano. Encontrei este caro senhor (aponta Petrucchio) que aceitou cortejar Catarina!
GRÊMIO: Mas você contou a ele sobre aquele pequeno problema da moça?
PETRUCCHIO: Já sei que é uma megera. Se é só isso, meus senhores, não vejo inconveniente. Já domei muita égua nessa vida.
GRÊMIO: Já que é assim...
[Entram Biondella, Trânio e Lucêncio, vestido de mulher]
TRÂNIO: (falando baixinho para Lucêncio) E então durante as aulas você vai se revelando pra ela ...
LUCÊNCIO: Sim, pode deixar. (com voz de homem; os outros olham e ele repete a frase com voz de mulher)
TRÂNIO: Saudações, senhores! Podem me dizer qual o caminho para ir à casa da senhora Batista?
GRÊMIO: Qual o interesse? Não é mais um pretendente, não é?
TRANIO: E se for? Soube que têm duas donzelas à procura de um marido: uma, famosa pela língua afiada; a outra, pela modéstia encantadora.
PETRUCCHIO: A primeira, pode tirar o olho! Já tem dono!
HORTÊNCIO: Se for assim, quando a mais nova estiver livre, todos poderemos cortejá-la.
TRÂNIO: Estamos combinados então! (Saem)

SEGUNDO ATO

CENA I

[Pádua. Um quarto em casa de Batista. Entram Catarina e Bianca]
BIANCA: Catarina, por que fica me rodeando e me importunando tanto?
CATARINA: Não se faça de inocente! Pode me dizer logo qual dos dois pretendentes você mais gosta.
BIANCA: Juro que não gosto deles!
CATARINA: Mentira! É Hortênsio?
BIANCA: Não!
CATARINA: Quer o mais rico, Grêmio!
BIANCA: Você só pode estar com ciúmes! Deveria ser mais mansa, e então acharia alguém para casar!
[entra Batista]
BATISTA: Que é isso? Não quero saber de briga!
CATARINA: Ela mente e isso me irrita! Vou me vingar! (Faz menção de pegar Bianca. Batista protege Bianca)
BIANCA: Minha mãe, Catarina é muito irritante. Por isso nenhum homem a suporta.
BATISTA: Entra, Bianca! (Sai Bianca)
CATARINA: Você a ama mais! Agora vejo! Você sabe que não quero me casar nunca. Homens não prestam. Ou você pensa que eu não via como meu pai te tratava antes de te largar por outra?
BATISTA: (breve silêncio) Um homem só procura outra quando não tem o que quer em casa. Eu devo ter feito algo errado. Eu não era uma boa esposa.
CATARINA: E o que é uma boa esposa, mãe? Bela, recatada e do lar? Sabe quando eu vou ser esse tipinho? Nunca! Nunca!
BATISTA: Minha filha. (abatida)
CATARINA: Vou embora. Eu não preciso de marido ou quem quer que seja pra ser feliz! (Sai)
BATISTA: Eu atirei pedra na Cruz!
[Entra Trânio e Biondella, trazendo livros, com Lucêncio vestido de professora de letras; Petrucchio, com Hortênsio  e Grêmio]
GRÊMIO: Muitos bom dia, minha vizinha Batista.
BATISTA: Bom dia a todos.
PETRUCCHIO: Minha boa senhora, não tem uma filha, Catarina, encantadora e muito virtuosa?
BATISTA: Sim, tenho uma filha desse nome.
PETRUCCHIO: Senhora, tendo ouvido falar de sua filha, tomei a ousadia de apresentar-me sem cerimônia. Trago comigo um ilustre amigo, que poderá cortejar sua filha Bianca. Aceite essa cortesia.
HORTÊNSIO: Eu me chamo Hortênsio, é um prazer conhecer a senhora.
BATISTA: Fico grata! Mas gostaria de saber mais sobre o senhor. (aponta para Petruccio)
PETRUCCHIO: Eu? Sou Petrucchio; meu pai foi Antônio, em toda a Itália era muito conhecido.
BATISTA: Ah sim! Conheço bem seu pai!
TRÂNIO: Acho que Petrucchio já falou demais! Também gostaria de apresentar uma gentileza: Trago comigo uma grande professora de Literatura. (apresenta Lucêncio, vestida de mulher) Chama-se Carla.
BATISTA: Obrigado, senhor. Bem-vindo, Carla.  Mas, quem é o senhor?
TRÂNIO: Perdão, sou Lucêncio e apresento-me como pretendente à mão da bela e virtuosa Bianca.
BATISTA: De que cidade veio?
TRÂNIO: De Pisa, aquela da torre torta. Meu pai, Vicêncio, é um mercador muito conhecido.
BATISTA: Seu pai é um grande homem em Pisa. Também é bem vindo em minha casa! Senhoras, podem começar suas aulas!
[Entra uma criada, que sai com Hortênsio, Lucêncio e Biondello]
PETRUCCHIO: Desculpe, senhora Batista, mas o meu tempo é curto e preciso saber apenas uma coisa: Se eu conseguir o amor de sua filha, qual será o dote?
BATISTA: Vinte mil coroas e metade dos meus bens depois que morrer.
PETRUCCHIO: Então está feito. Se eu receber um sim de Catarina, a senhora me da sua mão em casamento!
BATISTA: Boa Sorte!
[Volta Hortênsio, com a cabeça quebrada]
HORTÊNSIO: Catarina não me deixou nem chegar perto de Bianca.
BATISTA: E você aceitou?
HORTÊNSIO: Aquela sua filha é uma megera, senhora...  não tem jeito de amansá-la não.
CATARINA: (de dentro da coxia, gritando) E vê se não volta, seu safado!  (Hortênsio sai correndo)
PETRUCCHO: Agora sei que escolhi a mulher perfeita para mim!
[Entra Bianca, com raiva]
BIANCA: Mãe, isso não é justo! Se a Catarina não quer saber de casar o problema é dela. Mas espantar os meus pretendentes já é demais.
[Sai Bianca]
BATISTA: Senhor Petrucchio, quer que chame Catarina?
PETRUCCHIO: Aqui a receberei!
[Sai Batista. Entra Catarina]
PETRUCCHIO: Olá minha doce Cat!
CATARINA: Por acaso é algum retardado?! Meu nome é Catarina. Doce é a sua mãe!
PETRUCCHIO: Para mim é Cat, a cocada mais doce! Cantarei sua beleza para todo o mundo!
CATARINA: Deus me livre desse seu canto de gralha desafinada! Volta para o buraco de onde veio!
PETRUCCHIO: Que Vespa!
CATARINA: Sendo eu vespa, cuidado com o meu ferrão!
PETRUCCHIO: Há remédio para isso: arranco-o logo.
CATARINA: Não sem antes sentir o meu veneno! Adeus!
PETRUCCHIO: Não vá!
CATARINA: Só se abaixar a crista!
PETRUCCHIO: Então serei seu galo e você a minha franguinha.
CATARINA: Tão moço e tão demente.
PETRUCCHIO: Por São Jorge! Sou muito moço mesmo.
CATARINA: E já tão enrugado.
PETRUCCHIO: Vamos, estou falando sério. Não fuja de mim.
CATARINA: Vai dar ordem, cretino, aos seus criados.
PETRUCCHIO: Justamente, querida Cat. Mas deixando de lado toda nossa doce conversa, preciso te avisar que sua mãe me concedeu sua mão em casamento; combinamos o dote. E agora, eu serei seu marido!
[Voltam Batista, Grêmio e Trânio. Interrompem a conversa]
BATISTA: Então, como foi a conversa?
PETRUCCHIO: Melhor impossível! (Catarina faz cara de espanto)
BATISTA: E você Catarina, como está?
CATARINA: Como se a senhora se importasse! Depois de me obrigar suportar esse lunático, quer ainda me empurrá-lo como marido!
PETRUCCHIO: Dona Batista, o negócio é assim: deixamos combinado de casarmos no próximo domingo.
CATARINA: Neste dia te quero ver pendurado na forca.
PETRUCCHIO: Em companhia de outras pessoas ela continuaria linguaruda. Mas a sós ela me tem muito amor! Vou a Veneza comprar a roupa para o casamento. Podem fazer os preparativos!
BATISTA: Estou confusa! Mas se é assim que desejam os dois... (Catarina fica indignada)
GRÊMIO E TRÂNIO: Seremos os padrinhos.
PETRUCCHIO: Dona Batista, cavalheiros, adeus. Agora um beijo no teu caro esposo. (sai Catarina. Logo depois Petrucchio)
GRÊMIO: Desejo-lhes sorte. Mas agora vamos falar sobre Bianca?
TRÂNIO: Sim, precisamos decidir que terá a honra de se casar com ela!
BATISTA: Eu já tenho uma solução: O que oferecer o maior dote ganhará a sua mão!
TRÂNIO: Meu amigo Lucêncio... (se atrapalhando com a farsa) quer dizer, EU tenho uma renda de dois mil ducados por terra; tendo duas propriedades em Pádua e três em Pisa.
GRÊMIO: Dois mil ducados anuais por terra? Minhas terras não dão tamanha renda...
BATISTA: Já me decidi: No outro domingo Bianca se casará com o senhor Lucêncio. Adeus. (sai)
GRÊMIO: Você venceu. Desisto! (Sai)
TRÂNIO: Agora eu preciso de um pai falso para firmar esse noivado falso! Deus me ajude! (Sai)

TERCEIRO ATO

CENA I

[Pádua. Um quarto em casa de Batista. Entram Lucêncio, disfarçada de professora de letras e Bianca]
BIANCA: Onde paramos ontem?
LUCÊNCIO: Neste ponto, senhorita. (mostra o livro)
BIANCA: Pode traduzir para mim?
LUCÊNCIO: "Como já vos disse durante esses dias que temos estado juntos, eu me chamo Lucêncio (tira a peruca; Bianca se assusta), filho de Vicêncio de Pisa, disfarçado para alcançar vosso amor. E o Lucêncio que se apresentou para vos fazer a corte, é meu criado Trânio, que tomou o meu nome, para melhor enganarmos os outros pretendentes."
BIANCA: Vamos ver agora se eu sei traduzir: "Não vos conheço; não tenho confiança em vós, ainda mais vestido desse jeito; Mas não perca a esperança." Eu gostei do que fez por mim. (Entra uma criada)
CRIADA: Senhora (Lucêncio coloca a peruca rapidamente), sua mãe pede que ajude sua irmã a enfeitar o quarto para o casamento.
BIANCA: Adeus, “professora”.
[Sai Bianca e o criado para um lado e Lucêncio pelo outro]

CENA II

[Entram Batista, Catarina, Bianca]
BATISTA: Onde se meteu Petrucchio? Hoje é o dia do casamento e nem sinal dele!
CATARINA: Bem que eu avisei que ele era louco varrido!
BIANCA: Paciência, Catarina. Petrucchio tem boas intenções. É homem de palavra e muito honesto.
[Entra Biondella]
BIONDELLA: Senhora, senhora! Novidade! Petrucchio está a chegar!
BATISTA: Graças a Deus ele já está em caminho!
(Entram Petrucchio e Grúmia vestidos de bobos da corte...)
PETRUCCHIO: Todos prontos?
BATISTA: Que roupas são essas?
PETRUCCHIO: Vim cumprir a palavra, é o que importa! Onde está Catarina?
BIANCA: Não pode ser visto assim por Catarina!
PETRUCCHIO: Assim, desejo vê-la.
BATISTA: Sendo assim, não vejo outra opção se não começarmos o casamento.
GRÚMIA: Peraí, paraí, vai ter bebida?
[Saem todos por um lado e entram Trânio e Lucêncio]    [Música de casamento de fundo]
TRÂNIO: Estamos quase lá! Precisamos apenas de um homem para fingir ser Vicêncio de Pisa, seu rico pai. Logo, você, o verdadeiro Lucêncio poderá fugir com o seu amor.
LUCÊNCIO: E então nos casaremos secretamente! (Conversam baixo até a chegada de Grêmio)
TRÂNIO: E então, como foi o casamento da megera?
GRÊMIO: Um desastre! Quando o padre perguntou se Petrucchio aceitava a noiva como esposa, ele gritou: "Sim, pelo diabo!", assustando o padre, que deixou a bíblia cair, tropeçou no altar e rolou igreja a fora. A moça ficou sem fala.
LUCÊNCIO: Quem cala consente!
GRÊMIO: Logo, estão casados! Nunca houve casamento tão maluco!
[Ouve-se música. Voltam Petrucchio, Catarina, Bianca, Batista, Hortênsio, Grúmia]
PETRUCCHIO: Infelizmente teremos que partir agora mesmo! Adeus a todos e muito obrigado!
CATARINA: Vamos ficar.
PETRUCCHIO: Infelizmente, não.
BIANCA: Obedece seu marido!
CATARINA: Cala a boca, Bianca!
BIANCA: Falo mesmo. Onde já se viu... a homem foi feito para mandar e a mulher para obedecer.
CATARINA: (para a irmã) Ah é! (volta-se para Petruccio) Fica se me ama.
PETRUCCHIO: Fico feliz por pedir para ficar.. mas não ficamos.
CATARINA: Pois muito bem. Eu ficarei! E quero ver quem me tira daqui.
BIANCA: Deus tenha misericóridia!
PETRUCCHIO: Todos irão jantar, mas a minha esposa encantadora deverá ir comigo. (pega Catarina no colo e a leva embora)
GRÊMIO: Se demorassem mais, eu morreria de tanto rir.
TRÂNIO: Casamento tão louco assim, nunca houve.
BIANCA: Foi uma louca que desposou um louco.
BATISTA: Bom, ainda temos um banquete nos esperando. (Saem)

ATO IV

CENA I

[Uma sala na casa de campo de Petrucchio. Entram Petrucchio e Catarina]
PETRUCCHIO: Onde está as criada?
CRIADA: Aqui, senhor!
PETRUCCHIO: Aqui, senhor! Cabeça oca! Sirva o jantar. Vem, doce Cat, vem sentar-se comigo... O que é isso? Façam as coisas direito! (sai brigando com a criada. Volta logo depois) Estúpida! Burra!
CATARINA: Tenha paciência!
PETRUCCHIO: Vamos jantar. Quem fará a oração? Eu ou você? Espere! O que é isso? Sopa?
CRIADA: Isso mesmo.
PETRUCCCHIO: Quem a trouxe?
CRIADA: Eu, ué!
PETRUCCHIO: Está fria! Não quero! Mande embora agora mesmo!
CATARINA: Marido, por favor, calma!
PETRUCCHIO: Não! Acho melhor jejuarmos! Vem, vamos dormir! (Saem Petrucchio e Catarina)
CRIADA: Coitada da senhora, agora está ouvindo um monte de sermões do senhor Petrucchio! Acho que ele não a deixará dormir de tanto que fala! (Sai)
[Volta Petrucchio]
PETRUCCHIO: Meu plano está correndo perfeitamente! A deixarei acordada a noite inteira com os meus gritos. Até agora ela não comeu nada, e vai ficar assim o dia todo. Na última noite não dormiu, nem vai dormir esta noite. E não me julguem! (para o público) Se alguém sabe como amansar melhor uma megera, venha ensinar-me! (Sai)

CENA II

[entram Lucêncio, vestido de homem e Bianca] 
LUCÊNCIO: Como anda a sua leitura, senhorita?
BIANCA: Muito bem. E “minha professora”, o que tem lido?
LUCÊNCIO: A arte de amar, porque você é a dona do meu coração. (se abraçam e ficam ao fundo)
[entra Hortênsio e Trânio]
HORTÊNSIO: Meu coração está partido! Desisto de cortejar Bianca. Vou me casar com uma viúva rica. Adeus meu amigo.
[Sai Hortênsio; Lucêncio e Bianca vêm para a frente]
TRÂNIO: Meus amigos! Tenho ótimas noticias! Hortênsio renunciou à mão de Bianca!
BIANCA: Nossa! Como estou sendo disputada. Também, linda como sou, era de se esperar.
[Entra Biondella, correndo]
BIONDELLA: Patrão! Não consegui encontrar um bom senhor para fazer o papel de Vicêncio, seu pai!
TRÂNIO: Não acredito! E agora, minha farsa será descoberta.
BIONDELLA: E para piorar, a verdadeira professora de Bianca está quase chegando.
LUCÊNCIO: E agora, Trânio, que faremos com ela? Eu sou a “professora”. Essa mulher vai me desmascarar.
TRÂNIO: Deixem tudo comigo! Agora, partam!
[Saem Lucêncio e Bianca. Entra a professora]
PROFESSORA: Saudações, senhor.
TRÂNIO: Bem-vinda! O que a trás para a nossa humilde cidade?
PROFESSORA: Sou professora de letras. Estou aqui para ensinar a filha da senhora Batista.
TRÂNIO: Ah sim! Quanto tempo pretende ficar aqui em Pádua?
PROFESSORA: Por uma ou duas semanas, nada mais. Depois, partirei para Roma.
TRÂNIO: De que cidade é?
PROFESSORA: De Mântua.
TRÂNIO: Mântua? Que desgraça! Pois não sabe que aqui em Pádua estão entregando ao Duque todos os moradores de Mântua?! Está correndo grande perigo de ser presa!
PROFESSORA: Oh, Deus! O que farei?
TRÂNIO: A senhora já esteve em Pisa?
PROFESSORA: Sim, meu senhor, estive várias vezes.
TRÂNIO: E conheceu um tal Vicêncio?
PROFESSORA: Não, mas ouvi falar bastante nele, um mercador de bens incalculáveis.
TRÂNIO: Pois é meu pai,  e a senhora se parece muito com ele...
BIONDELLA (à parte): Assim como uma ostra se parece com uma batata.
TRÂNIO: Logo, poderá fingir ser meu pai, Vicêncio, até que consiga seguir viagem para Roma.
PROFESSORA: Muito obrigado, senhor!
TRÂNIO: (falando para a plateia) Consegui resolver dois problemas de uma vez só. (voltando-se para a Professora) Vou te explicar tudo no caminho... (Saem)

CENA III

[Um quarto em casa de Petrucchio. Entram Catarina e Grúmia]
GRÚMIA: Não, não! O patrão disse não!
CATARINA: Mas estou há dias sem comer algo decente! Estão a base de pão e água! Preciso comer alguma coisa!
GRÚMIA: Acho que posso conseguir um bom assado de carneiro, com ervas frescas e uma boa taça de vinho.
CATARINA: Está perfeito.
GRÚMIA: Mas não posso! O patrão me chutaria o trazeiro...
CATARINA: Eu vou chutar o seu trazeiro se não conseguir algo para eu comer agora mesmo!
[Entra Petrucchio]
PETRUCCHIO: Como vai minha doce Cat?
CATARINA: Fria e verde de fome.
PETRUCCHIO: Ora, se quer comer, é só pedir por favor!
CATARINA: Por favor, senhor.
GRÚMIA: Farei companhia a senhora.
PETRUCCHIO (à parte): Preciso que coma tudo, Grúmia! Não quero que sobre nada para Catarina. (Alto) E agora, meu doce amor, precisamos voltar à casa de sua mãe. Antes, vamos escolher belos trajes para você.
[Entra a modista]
PETRUCCHIO: O que trouxe para nós, modista?
MODISTA: Este belo lenço.
PETRUCCHIO: Como! Está horrível! O pano é ruim e o desenho tosco! Leva!
CATARINA: Não, não! Eu quero esse!
PETRUCCHIO: Quando for gentil, terá um desses; antes, não. Agora o vestido!
MODISTA: Um belo vestido encomendado pela senhora. Todo trabalhado ricamente.
PETRUCCHIO: Para mim parece uma lona de circo! É ridículo!
GRÚMIA: Pelo que estou vendo, não pegará nem lenço nem vestido.
CATARINA: Nunca tive um vestido tão bem feito! Quero este! Agora!
PETRUCCHIO: Em resumo, senhor: esse vestido não é para mim.
GRÚMIA: Claro que não, é para a patroa!
PETRUCCHIO: Pode levar embora!  (Sai a alfaiate)
PETRUCCHIO: Vem, querida Cat. Vamos para a casa de seu pai com essas roupas mesmo. O que importa é o que se tem por dentro. (Saem todos)

CENA IV

[Pádua. Diante da casa de Batista. Entram Trânio, Biondella e a professora, vestido como Vicêncio]
TRÂNIO: Agora é a hora. Vejo Batista chegando. Todos em suas posições!
[Entram Batista e Lucêncio, como Carla]
TRÂNIO: Senhora Batista, que feliz encontro. Este é meu pai, o senhor Vicêncio. Agora, pode cumprir a sua parte no acordo.
PROFESSORA: Aqui estou eu pronto para dar a minha benção e o dote prometido.
BATISTA: Se é assim, fico feliz de firmar o compromisso entre seu filho e minha filha. Em que lugar firmaremos o contrato e o noivado?
TRÂNIO: Em meus alojamentos, nesse caso. Meu pai vai ficar lá; e ainda esta noite poderemos concluir nosso negócio com bastante sigilo e segurança.
BATISTA: Estou de acordo.
[Saem Trânio, a professora e Batista]
BIONDELLA: Esta é nossa chance, senhor! Enquanto eles estão ocupados com o contrato de casamento, o senhor vai buscar Bianca e levá-la à igreja, onde o padre os espera com algumas testemunhas. Se ela disser sim ao senhor, poderão se casar antes do falso contrato ser assinado. Preciso correr! (sai)
LUCÊNCIO: Enfim chegou o momento! Que Deus nos ajude! (sai)

CENA V

[Uma estrada pública. Entram Petrucchio, Catarina, Hortênsio e uma criada]
PETRUCCHIO: Mas que bela lua nos ilumina o caminho para a casa de sua mãe, doce Cat!
CATARINA: Você está surtando? Este é o sol, seu jumento!
PETRUCCHIO: Pois eu digo que é Lua.
CATARINA: É o sol.
PETRUCCHIO: Parem todos. Vamos ficar aqui até que Catarina concorde comigo. (senta no chão)
GRÚMIA: Concorda, por favor, se não nunca sairemos dessa estrada.
CATARINA: Certo. Então é a lua. Podemos ir?
PETRUCCHIO: Não, porque não é Lua! Está ficando doida? Este é o sol!
CATARINA: Vejo que é o sol, mesmo.
PETRUCCHIO: Está mentindo, porque eu acabo de dizer que é a Lua.
CATARINA: Pode ser o que você quiser, sol, lua, estrela, vela. O que for. O que disser, eu concordarei.
GRÚMIA: Podemos seguir agora?
PETRUCCHIO: Avante!
[Entra Vicêncio]
PETRUCCHIO: (A Vicêncio) Bom dia! (para Catarina) Gentil senhora! Não vai cumprimentar este gentil senhor, Catarina?
CATARINA: Bom dia, gentil  senhor!
VICÉNCIO: Bom dia, meus jovens. Sou Vicêncio de Pisa e procuro o caminho de Pádua, onde mora o meu filho, Lucêncio. Faz tempo que não o vejo
PETRUCCIO: Ora, mas que alegria. O seu filho Lucêncio acaba de noivar com a irmã de minha mulher e estamos todos nos dirigindo para a casa de meu sogro, onde acontecerá a festa de noivado.
VICÊNCIO: Verdade? Oh, Deus! Irei com os senhores até a casa de seu sogro para tirar essa história a limpo!

ATO V

CENA I

[Pádua. Diante da casa de Lucêncio. Grêmio passeia no outro lado]
GRÊMIO: Admiro-me de Carla não ter ainda chegado com Bianca!
[Entram Petrucchio, Catarina, Vicêncio e criada]
PETRUCCHIO: Esta é casa de Lucêncio. A de meu sogro é perto do mercado.
VICÊNCIO: Pelo que parece, há mais gente lá dentro. (Grita: “Oh de casa”)
GRÊMIO: Estão muito ocupados; será melhor gritar com mais força.
[Aparece na janela o professora (como Vicêncio); a “janela será no alto da coxia]
PROFESSORA: Quem é que grita?
VICÊNCIO: O senhor Lucêncio está, meu senhor?
PROFESSORA: Está, sim senhor; mas não pode atender a ninguém.
PETRUCCHIO: Peça que ele venha ver seu pai, senhor Vicêncio, que o espera aqui fora!
PROFESSORA: Que mentira! (fica assustada, mas mantém o disfarse) Eu sou o pai de Lucêncio!
PETRUCCHIO: Ora que eu não estou entendendo mais nada!
[Volta Biondella]
BIONDELLA: Os dois já estão juntos na igreja... (para o público) Meu velho amo Vicêncio aqui em Pádua? Agora ferrou tudo!
VICÊNCIO (percebendo Biondella): Vem aqui, corda de forca!
BIONDELLA: Tenho liberdade de movimentos, meu caro senhor.
VICÊNCIO: Então, já se esqueceu de quem eu sou?
BIONDELLA: Pois eu nunca o vi mais gordo!
VICÊNCIO: Ah! é assim? (Bate em Biondello)
BIONDELLA: Socorro! socorro! Querem me matar. (Sai)
PROFESSORA: Socorro, filho! Socorro, senhor Batista! (Retira-se da janela)
PETRUCCHIO: Catarina, vamos ficar de lado, para vermos o fim desta história!
[Entram a professora, Batista, Trânio e criada]
VICÊNCIO: Trânio? O que faz vestido como meu filho Lucêncio?
TRÂNIO: Quem é o senhor? (fica assustado, mas mantém a farsa)
BATISTA: Será que é louco?
VICÊNCIO: Como não sabe quem sou? Eu te acolhi quando estava nas ruas e te criei junto ao meu filho! Como se atreve!
PROFESSORA: Fora! Fora, seu maluco furioso! O nome dele é Lucêncio; é o meu único filho e herdeiro de tudo o que possuo.
VICÊNCIO: Lucêncio! Este é o meu filho!
TRÂNIO: Chamem um oficial de justiça.
[Sai um a criada e volta com um oficial de justiça]
VICÊNCIO: Não podem me prender, eu sou o verdadeiro Vicêncio!
GRÊMIO: Espere um pouco, oficial; essa história está muito estranha!
BATISTA: Leve esse velho tonto!
[Volta Biondello com Lucêncio, vestido de Carla, e Bianca]
BIONDELLA: Estamos perdidos!
LUCÊNCIO (ajoelhando-se): Pai, perdão! (tira a peruca)
VICÊNCIO: Lucêncio! O que você está fazendo vestido assim?
BATISTA: Então você é o verdadeiro Lucêncio? (olha para Trânio furiosa)
[Biondella, Trânio a professora saem correndo]
LUCÊNCIO: Eu fingi ser a professora de Bianca, pois queria cortejá-la.
BIANCA (ajoelhando-se): Perdão, mãe querida. Não queríamos causar essa confusão toda.
BATISTA: O que aconteceu? Você sabia de tudo isso?
LUCÊNCIO: Ela não só sabia, como se casou comigo escondido, enquanto meu amigo Trânio fingia ser eu para a senhora.
GRÊMIO: Eu sabia que havia algo de podre nessa história!
LUCÊNCIO: É o milagre do amor. O amor de Bianca me fez até me vestir de mulher. A culpa é minha, não puna a mais ninguém.
BATISTA (a Lucêncio): Mas casou com minha filha sem pedir o meu consentimento?
VICÊNCIO: Vamos para dentro tirar toda a história a limpo!
[Sem todos menos Petrucchio e Catarina]
CATARINA: Marido, vamos ver como tudo isto vai acabar.
PETRUCCHIO: Vamos, doce de coco; mas primeiro me dá um beijo.
CATARINA: No meio da rua?
PETRUCCHIO: Está com vergonha de mim?
CATARINA: Só de te beijar.
PETRUCCHIO: Então vamos voltar para casa.
CATARINA: Não! Dou o beijo, mas ficamos!
PETRUCCHIO: Viu? Não é muito difícil entrarmos em um consenso! (beijam e saem)

CENA II

[Está sendo preparado um banquete. Entram Batista, Vicêncio, Grêmio, Lucêncio, Bianca, Petrucchio, Catarina, Hortênsio e a viúva (tem que estar bem feia). Trânio, Biondella, Grúmia e outras criadas servem]
LUCÊNCIO: A tempestade passou! Todos os maus entendidos foram concertados e agora estamos eu e minha amada Bianca juntos oficialmente! Vamos comer e festejar!
BATISTA: Um viva aos noivos!
TODOS: Viva.
PETRUCCHIO: Hortêncio, meu amigo, vejo que fisgou a sua viúva!
HORTÊNSIO: Desejo que seja verdade o que diz.
PETRUCCHIO: Por quê? Está com medo da viúva?
VIÚVA: Não sou motivo para ser o medo de ninguém!
CATARINA: Isso é o que a senhora pensa!
BIANCA: Senhoras, hoje é dia de festa e comemoração. Que tal entrarmos e ouvirmos um pouco de música?
[Saem Bianca, Catarina e a viúva]
HORTÊNSIO: Mas falando, caro Petrucchio, seriamente: Penso que você conseguiu domar a megera no final.
PETRUCCHIO: Bem, não direi que não. Mas como prova, cada um de nós mandará chamar a esposa. A que atender ao chamado ganhará o prêmio que combinarmos.
HORTÊNSIO: Muito bem. E o valor?
LUCÊNCIO: Vinte coroas.
PETRUCCHIO: Vinte coroas? Isso arriscaria no meu cão de caça.
LUCÊNCIO: Então, cem.
HORTÊNSIO: Muito bem.
PETRUCCHIO: Está fechado.
HORTÊNSIO: Quem começa?
LUCÊNCIO: Eu! Vai, Biondella; diga a Bianca que eu a espero aqui no salão.
BIONDELLA: Perfeitamente. (Sai)
BATISTA: Meu genro, acho que você será mesmo o vencedor.
[Volta Biondella]
BIONDELLA: A patroa, senhor, mandou dizer que...
BIANCA (DA COXIA):  estou ocupada, não posso ir!
PETRUCCHIO: Como! Ocupada? Não pode vir? Então isso é resposta?
GRÊMIO: E bem gentil. Catarina dará uma pior.
HORTÊNSIO: Minha vez! Corre, e chama minha viúva.
[Sai Biondella]
LUCÊNCIO: Se Bianca não vêm, a viúva virá.
[Volta Biondella]
BIONDELLA: A viúva disse que...
VIÚVA (DA COXIA): Só pode ser brincadeira. Se ele quiser, que venha!
PETRUCCHIO: De mal para pior. Que vergonha! Grúmia! Vai procurar sua patroa e peça para que venha me ver.
[Sai Grúmia]
HORTÊNSIO: Já sei sua resposta.
PETRUCCHIO: Qual?
HORTÊNSIO: Não vem.
[Volta Catarina]
BATISTA: Ah! Por Nossa Senhora! É Catarina.
CATARINA: Senhor, mandou me chamar?
LUCÊNCIO: Só pode ser milagre!
PETRUCCHIO - Ora essa! Paz, amor, vida tranqüila e respeito! Tudo isso se traduz em nosso relacionamento.
BATISTA: Seja muito feliz, caro Petrucchio. Ganhou a aposta!
PETRUCCHIO: Ó docinho! Vem dar-me um beijo. (Saem Petrucchio e Catarina)
BATISTA: Enfim, os dois domaram um ao outro!


FIM



A partir do texto adaptado por Thainá Pacheco e Jeanine Pacheco. VEJA AQUI.

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